Cobertura da festa popular foi realizada pelo jornal O Taubateense
Ainda antes de inventarem o samba, o carnaval já era festejado nas ruas de Taubaté no século 19. Ao invés dos passos e rebolados, que fizeram a fama dos nossos passistas, as ruas da cidade eram tomadas por foliões que dançavam “can-can rasgado”, valsas e contradanças. Também havia as fantasias e os carros alegóricos.
Quem informa os detalhes desta folia é o jornal O Taubateense, periódico que inaugurou o jornalismo em Taubaté no ano de 1861. O primeiro carnaval que teve cobertura da imprensa foi o de 1862, que aconteceu nos dias 1, 2 e 3 de março. Segundo O Taubateense, o nosso carnaval era uma festa tradicional que servia de “modelo às cidades vizinhas”. Tudo organizado pela “Sociedade Carnavalesca Taubateense”, que impunha algumas regras a quem quisesse participar da folia, como por exemplo: só usava máscara quem se registrasse e se identificasse junto à organização; o percurso deveria ser feito com calma, “sem gritaria” e confusão.
Segundo o jornal, o cortejo carnavalesco seguia pelas ruas do Rosário (atual rua Visconde do Rio Branco), da Cadeia (rua Pedro Costa ), da Direita (rua Duque de Caxias), do Sacramento e da Piedade (rua Emílio Winther).
Recorte do jornal com a programação do carnaval de Taubaté em 1862. Foi a primeira folia que teve cobertura da imprensa.
Imprensa foliã
A primeira cobertura jornalistica de uma festa de carnaval em Taubaté foi publicada pelo O Taubateense na edição 27 de 8 de março de 1862. Leia como foram aqueles três dias de festa:
“Na 1ª tarde apareceram 80 e tantos mascarados a cavalo e a pé, entre eles o que mais despertou a curiosidade pública, foi uma mesa movida por dois mascarados que assentados nas duas extremidades um vestido de mulher, fazia sapatos, e outro vestido de homem fazia renda; não percorreram todas as ruas do programa por cair ao atravessar a rua do Rosário, grossa chuva que durou duas horas.
Na 2ª tarde os ares estiveram mais limpos, sendo o divertimento mais completo apareceu igual número de mascarados, uns ricamente vestidos, e outros esquisitamente vestidos, sobressaindo como coisa mais significativa 1 vestido de todo de canudos de taquara estes canudos eram uns dourados, outros pintados, colocados simetricamente de modo que agradou geralmente e o que a curiosidade geral não se satisfazia em ver foi uma canoa grande movida por dois mascarados sentados na extremidades sendo uma irmã da caridade de um lado e de outro um marinheiro com grande remo em punho remando.
Na 3ª tarde apareceu ainda maior número, mas não temos raridade alguma a consignar, só notamos andarem muito dispersos e não cumprirem o programa”.
Festa do Divino (1845), gravura de Ludwig & Briggs. Celebração religiosa que acabou ganhando feição carnavalesca.
Na edição do dia 13 de março, um certo “O Tinga suréba” resolveu descrever a festa com mais minucias e em forma de poema.
CARNAVAL
Para sair da apatia,
Em que tudo tem estado,
No que é ordem do dia:
– Carnaval, festa e folia.
E o que há de mais fresco,
Pois foi de luxo e grotesco,
E eu bem minucioso,
Quero dar-te pressuroso,
De notícias um refresco.
Houve grande concorrência
No grupo dos mascarados ,
E dentre os mais dedicados,
vou fazer-te a preferência:
– Mas nota, e com paciência.
Também houve profusão,
De povéo em borbotão,
Que vinham de caras nuas,
Para ver grupos nas ruas,
Com caras de papelão.
Marcharam com rigorismo,
Um sisudo, outro em trejeitos,
Dando flores e confeitos,
Ao soberbo madamismo:
– Não se notou pedantismo.
Em ordinário guerreiro,
Soa o clarim do monteiro
Como em antigas caçadas
Dos nobres pelas tapadas
Correndo o gamo ligeiro.
O diretor a guiar,
Para tudo ir com vigor,
E do que houve melhor,
Como disse vou notar:
Como nas ondas do mar,
Navegou com suavidade,
Pelas ruas da Cidade,
Um lindo batel veleiro,
Conduzindo um marinheiro,
E uma irmã de caridade.
Um quadro vivo mostrando,
Ao mundo novas emendas.
– Um homem fazendo rendas
– Uma mulher, sovelado.
E também a pé marchando,
Um de canudos coberto!
Foi boa lembrança, é certo
Isto eu vi; sente o que digo;
De taquara o tal amigo;
Deixou o campo deserto
Para dar em resultado,
Um final a descrição,
Faço recopilação
Com o baile mascarado
Esteve muito animado,
Teve la tal dominó
O qual bastou por si só
A tornar-se preferível,
Pois num debique temível,
Tudo pôs em terra e pó.
Dançou-se can can rasgado,
E valsas e contradanças
Mas como em tudo há mudanças,
Também houve um resfriado,
Que deixou tudo amuado
– Ficou a estante deserta!
E o motivo não se aceita
Porque a música apressada,
Retirou-se em debandada
Nos deixando em boca aberta!
O Tinga Suréba
Tempos áureos
Segundo cronistas, o carnaval de Taubaté teve seus tempos áureos entre o final do século 19 até aproximadamente 1915. Nesse período, grupos carnavalescos como o Operários da CTI, Filhos de Plutão e o Carmosin desfilavam por ruas da cidade com seus carros alegóricos puxados por cavalos ricamente enfeitados. E o povo seguia o cortejo. Molhar os outros fazia parte da diversão. Os desavisados eram alvejados pelas laranjinhas, pequenas bolas de cera que quando quebradas exalavam um cheiro de água perfumada. Ou levavam na cara jatos dágua de bisnagas de borracha.
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