Paula Maria Prado para Lobato

Paula Maria Prado para Lobato


São José dos Campos, 4 de abril de 2019

 

Caro Lobato,

 

Tem razão. Tem toda a razão. Ainda assim, muito me admira esse desânimo. Afinal, o que seria de nós sem sequer a borboleta de asas de fogo? Antes mesmo da decisão de a pegarmos ou não com as mãos, é ela, a sua simples existência, que deveria nos fazer felizes, não? A felicidade está no livre arbítrio. Afinal, o fato de não escolher também é uma escolha.

 

Apesar disso, concordo contigo. Todos temos objetivos – até mesmo os Macucos, não se engane! -, mas para pontuar, reconhecer e construir o caminho até o nosso destino é preciso valentia e coragem. Muita! Enfim, se me permite ir além, saber aturar as consequências (boas e ruins) de cada escolha é o grande trunfo da vida.

 

Lhe entendo. Você, bem como eu, vive da palavra. E como é difícil, de posse de tão poucas, revelar uma infinidade de acontecimentos. Principalmente os efeitos não palpáveis deles, não é mesmo? Mas vamos seguir inspirados em Zola. Aliás, me interessei profundamente por “Mon Salon/Manet Ecrits sur l’art” e “Mes Heines”. Já coloquei tais obras na minha lista anual de títulos que quero ler. O que me diz?

 

Meu caro amigo, se até gênios como Cézanne, Renoir, Monet e Manet se distanciaram da paisagem de inspiração clássica para então observarem o campo livre, por quê não nós? Não idealizemos a realidade. Nem mesmo aquela que construímos no papel. Que esteja lá o nosso melhor dentro das possibilidades cotidianas. E ponto final.

 

Cientes de nossas falhas, seguimos em paz. É o que nos cabe dentro da nossa natureza humana. E, sim, que sejamos nós mesmos nessa batalha cotidiana, ainda que, no final das contas, a felicidade pertença a todos que vivem rodeado de borboletas. Ainda bem!

 

Da balzaquiana,
Paula Maria Prado

 

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