Praça Oito de Maio

O dia 8 de maio de 1945 é considerado o Dia da Vitória na Europa. É a data oficial da rendição do exército nazista aos Aliados.

Iniciado em 1939, o conflito passou a envolver o Brasil a partir de  1942, quando o país rompeu laços com as potências do Eixo, após ataques de submarinos alemães a navios nacionais. Mas foi só em 1944 que os combatentes brasileiros foram enviados ao campo de batalha.

Os militares brasileiros enviados ao front, pela  Força Expedicionária Brasileira (FEB) e pela  Força Aérea Brasileira (FAB), ficaram conhecidos como pracinhas e atuaram ao lado dos Aliados, principalmente na Itália.
Segundo dados de Oswaldo Barbosa Guisard, publicados no jornal A Tribuna em 23/11/1952, Taubaté contou com diversos pracinhas entre seus combatentes.

 

Militares de Taubaté na FEB e FAB:

Tenente da FAB: Fernando Barros Morgado

1º Sargento: Hermógenes Maynart de Toledo

2º Sargentos: Eugênio Antonio Chester, Angelo Basso, Benedito Fagunde, José Enéas Jorge dos Santos, Ari Gomes Freire, Orlando Gomes

3º Sargentos: Osmar de Moura, José Antonio Leite, Arlindo dos Santos, Francisco Souza Costa

Cabos: Manoel de Alcantara, Evaristo Bonani, Getúlio Ferreira, Mauro Peixoto dos Santos, José Geraldo da Silva, Benedito Alves, Francisco Antunes Vasconcelos Filho

Soldados: José Benedito Bertoldo, Benedito Nogueira de Moura, Valencio Velloso de Andrade, Benedito Rodrigues dos Santos, José Alves de Castro Sobrinho, José Benedito Cursino, Armando de Moura, Benedito Marcondes, Pedro de Paula, João Pascoal, Norberto Rachou, João Soares Pereira, José Benedito dos Santos, Benedito Henrique dos Santos, José Alves dos Santos, Geraldo Costa, Benedito Jacinto de Andrade, Angelo Zuim, José Vicente, José dos Santos, Dúlio Gobbo, José Ferreira de Almeida, Ernani Lipi, José Antonio Marçon, José Francisco dos Santos, José Francisco Zuin, Antonio Caetano, José Borges de Campos, Abraão de Alcantara Barros, Décio Fioravanti, Benedito Foglieni, Altino Carlotto, Hélio Alves Camargo, Miguel Gaspar, Altamiro Botossi, Fiorentino Zondonal, Antonio Domingos de Moraes e Ernesto Santos Pereira.

Entre eles, Antonio Domingos de Moraes e José Alves de Castro Sobrinho retornaram do conflito gravemente feridos.

 

Curiosidades

Teatro São João

(Imagem: Fachada do Teatro São João Vista a partir da atual Rua Emílio Whinter - Acervo AMPAH)

Construído no século XIX, durante o auge da economia cafeeira, o Teatro São João localizava-se na atual Praça Dr. Monteiro. Os esforços para sua construção foram iniciados em 1876, e ele foi um dos mais importantes espaços culturais de Taubaté, embora tenha sido demolido no século XX.
O historiador Francisco de Paula Toledo, autor do primeiro livro dedicado exclusivamente à história da cidade (1877), descreveu o teatro ainda em construção:
“O edifício ainda não está concluído, porém muito adiantado [...] contém 70 palmos de frente e 130 de fundos, com três ordens de camarotes [...] todo o edifício é construído de taipas e tijolos, feito com elegância e arte”. À época, o teatro era visto como essencial para suprir a falta de um espaço onde a população pudesse “encontrar recreio de distração para o espírito”. Cumprindo bem esse papel, o local foi mais tarde definido por Oswaldo Barbosa Guisard como o ponto chic da cidade.

Trilha sonora da praça

(Imagem: Maestro Fêgo Camargo)

Ninguém lembra qual foi o filme, mas todos diziam que Zilda foi a música que encerrou a última sessão de cinema mudo em Taubaté. Seu compositor, Fêgo Camargo, perdeu ali uma de suas fontes de renda com a chegada do cinema sonoro, uma inovação tecnológica que, em Taubaté, se tornou muito lucrativa.
Zilda foi composta na década de 1920, no estúdio improvisado da pequena casa onde Fêgo Camargo morava no Largo do Teatro, atual Praça D. Monteiro. Emílio Amadei Beringhs registrou que uma bela moça teria sido a musa da valsa; Helvécio Freitas suspeitava que fosse uma frequentadora do cinema. Yves Rudner Schmidt tentou descobrir qual teria sido o filme que, ao som de Zilda, encerrou uma era do cinema na cidade.
O filme se perdeu na memória. A música, não. Até meados do século XX, Zilda ainda era executada em emissoras de rádio pelo Brasil. Hoje, é possível ouvi-la em ao menos duas gravações disponíveis no YouTube: a de Orlando Silveira, de 1946, e aquela que a fez ressurgir como fundo musical para Rolando Boldrin declamar De Lenço Preto, poema de Ochelcis Aguiar Laureano, no disco Resposta do Jeca Tatu, de 1989.

Zilda
Autor: Fêgo Camargo
Data: Década de 1920

Mastro das Bandeiras

(Imagem: O Senador Joaquim Lopes Chaves - Acervo AMPAH)

Em 24 de agosto de 1978, às 20h, a Praça 8 de Maio ganhou um mastro de bandeiras de 16 metros de altura, feito em ferro tubular e com vértice triangulado.
A instalação fez parte das comemorações da Semana do Exército e marcou a data do falecimento de Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República. O mastro foi doado pela Mecânica Pesada S/A, por iniciativa do Rotary Club Taubaté Oeste.
Embora não tenha sido concebido como monumento artístico, o mastro cumpria uma função simbólica clara: afirmar o regime vigente por meio de marcas permanentes no espaço urbano, um gesto característico de seu tempo.

Largo do Cemitério

(Imagem meramente ilustrativa, gerada por inteligência artificial)

A região que comporta as atuais praças Oito de Maio e Dr. Monteiro, já foi conhecida como Largo do Cemitério ou Largo de Santa Cruz. E o motivo é que ali foi instalado, em 1842 o Cemitério de Santa Cruz. Até aquele momento, a região estava fora do perímetro urbano de Taubaté.
O cemitério foi construído durante uma severa crise sanitária causada por um surto de cólera na cidade. Mas ao longo do tempo, ele próprio passou a oferecer risco à saúde pública.
Um dos problemas relatados era relacionado a profundidade das covas, que raramente superavam três palmos (cerca de 69 cm). Como o terreno sofria com alagamentos constantes, não era raro que ossadas emergissem na terra.
Enquanto construía um novo cemitério público (organizado pela Irmandade de São Benedito, no Alto da Boa Vista - hoje conhecido como Cemitério Municipal do Belém), em 1884 a Câmara Municipal proibiu novos enterramentos no de Santa Cruz.
Em 1886 ele foi definitivamente fechado.
No entanto, suas ruínas persistiram até a década de 1920.
Em 1927 a prefeitura municipal murou toda a área e fixou uma placa comemorativa com os dizeres "Cemitério de Santa Crus. 1842 - a - 1886. Prefeitura de 1927".
Em 1945 o terreno foi cedido para a construção do Grupo Escolar Dom Pereira.

Grupo Escolar Dom Pereira de Barros

(Imagem: Grupo Escolar D. Pereira de Barros - AMPAH)

Criado em 5 de março de 1915, o Grupo Escolar Dom Pereira de Barros iniciou suas atividades na rua Emílio Winther, nas proximidades da Praça Santa Teresinha. Funcionava em um prédio antigo e adaptado, pertencente ao professor Francisco Marcondes Pereira, que o arrendou à municipalidade.
Inicialmente denominado “3º Grupo”, reunia, sob sua administração, diversas escolas isoladas da cidade e da zona rural, entre elas Piedade, Caieiras, Convento Velho, Caveiras (atual bairro da Independência), Alto do Cemitério e São Cristóvão. Posteriormente, o grupo escolar passou a adotar o nome pelo qual se tornaria conhecido.
Relatórios da Delegacia Regional de Ensino classificaram o prédio original como estando em “péssimas condições higiênico-pedagógicas”, o que levou à necessidade de mudança de sede.
Em 1948, foi anunciada a instalação do grupo escolar em seu novo edifício, na Praça Santa Cruz, seu endereço atual. O terreno havia abrigado o antigo Cemitério de Santa Cruz e situava-se ao lado do Cine Urupês.

Cine Urupês

(Imagem: Anúncio do Cine Urupês)

Em 24 de agosto de 1945, os taubateanos assistiram, pela primeira vez os premiados "A mulher que não sabia amar", com Ginger Rogers, e "O Bom Pastor", com Bing Crosby. Era a inauguração do Cine Urupês, um empreendimento da Companhia de Cinemas do Vale do Paraíba, presidida por Raul Guisard.
Por volta dos anos 1980 mudou de nome, passou a se chamar Teatro São João. No final da década foi incorporado ao patrimônio da Universidade de Taubaté e nos anos 2000 demolido para dar lugar a um condomínio.

Casa da Lavoura

(Imagem: Departamento de Educação e Cultura de Taubaté nos anos 1990)

Construída em 1944, sobre as ruínas do Teatro São João, o edifício teve muitos usos ao longo do tempo.
Primeiro como um dos braços do governo do estado na assistência técnica aos produtores rurais.
Depois, a partir dos anos 1980, como um equipamento público da Prefeitura Municipal: sediou o DEC - Departamento de Educação e Cultura, mais tarde o arquivo municipal e, em seguida, voltou novamente às atividades no setor da educação, sediando a Secretaria de Educação de Taubaté.
Seu interior abriga um dos murais do Mestre Justino, patrimônio tombado pela municipalidade e de grande importância para a memória cultural da cidade.