Praça Barão do Rio Branco

Fundada no início do século XVIII (entre 1700 e 1705), a Igreja do Rosário foi construída em taipa de pilão, com paredes de mais de um metro de espessura, e concluída no século XIX. Sua origem está ligada à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, formada no final do século XVII, composta principalmente por pessoas negras, tanto escravizadas quanto libertas.

Durante o século XIX, a igreja enfrentou sérios problemas de conservação. Em 1862, estava em risco de desmoronar, e por isso as imagens foram transferidas para a Igreja Matriz. E contou com o apoio da irmandade e de pessoas da comunidade para a sua preservação. 

Interditada desde a década de 2010, a igreja permanece fechada ao público até hoje, mas continua sendo um importante marco histórico de Taubaté.

Por causa da igreja, o local onde está instalada, era conhecido como Largo do Rosário. Mais tarde, foi rebatizado como Praça Barão do Rio Branco.

Curiosidades

A Irmandade dos Homens Pretos

(Imagem: Batismo de uma criança negra. J.B. Debret. Acervo NYPL)

A devoção a Nossa Senhora do Rosário, de origem dominicana, foi amplamente difundida pelos missionários na África e no Brasil como ferramenta de catequese. Contudo, as populações africanas e seus descendentes ressignificaram essa devoção. O Rosário não era apenas a santa dos brancos; era a "Mãe" que acolhia os desvalidos, uma figura que permitia sincretismos e associações com divindades ancestrais, e sob cujo manto as identidades étnicas (angolas, minas, crioulos) podiam ser reorganizadas em uma nova identidade: a de "Irmãos".
Inicialmente, a devoção dos homens pretos à nossa Senhora do Rosário, em Taubaté, acontecia de forma subordinada, ocupando um pequeno altar no corredor lateral da Igreja Matriz de São Francisco.
Apesar de representar a subordinação e a atuação periférica da comunidade negra, isso simbolizava a sua inserção oficial no corpo místico da igreja e na sociedade colonial. Em 1705, a autorização do bispo do Rio de Janeiro para o funcionamento da capela à nossa Senhora do Rosário deu à Irmandade dos Homens Pretos de Taubaté, não só a possibilidade de uma manifestação própria e longe da vigilância sacerdotal central, como também lhe conferiu autonomia jurídica. Supõe-se que a primeira Capela do Rosário de Taubaté tenha sido construída por iniciativa, trabalho e custeio de homens e mulheres escravizadas.
Além do fervor religioso, a Irmandade sobreviveu graças a uma rigorosa organização burocrática centrada na Mesa Administrativa, um conselho diretivo eleito anualmente, que definia a hierarquia do grupo. A mesa se organizava nos cargos de Juiz /Juíza, Rei/Rainha, Procurador e Tesoureiro. A historiadora Fábia Barbosa Ribeiro identificou, nos períodos de 1809 a 1815, uma organização em que as diferenças sociais eram, se não abolidas, renegociadas. Escravizados, negros libertos, homens e mulheres pobres se sucederam na direção da Irmandade.

Queimem os livros!

(Na imagem, postal do Palácio Episcopal e Igreja do Rosário. Em primeiro plano, a atual Praça Barão do Rio Branco - Acervo AMPAH)

A Praça Barão do Rio Branco, antigo Largo do Rosário, é um ponto relevante da cidade desde o século XVIII, quando mineiros e tropeiros atravessavam Taubaté carregando riquezas sertão adentro.
Primeiro, abrigou a capela que, reconstruída no século XIX, chegou a cumprir o papel de matriz durante as reformas da Catedral de São Francisco das Chagas. No século XX, tornou-se endereço do Palácio Episcopal da Diocese de Taubaté.
O edifício ganharia projeção nacional em 1982, em reportagem do Globo Repórter que celebrava o centenário de Monteiro Lobato. Segundo o programa, foi dali que partiram ordens para um dos episódios que tornaram Taubaté conhecida no país: a incineração dos livros do Sítio do Picapau Amarelo em colégios católicos da região.
O motivo? Literatura subversiva.

A queima de livros de Monteiro Lobato - Especial para Rede Globo no centenário do escritor

Praça da Imprensa

(Na imagem, a Praça da Imprensa)

A ideia era erguer um monumento de dois metros de altura por um de largura, em forma de matriz com uma pena — símbolo do jornalista. Ele seria inaugurado na Praça Barão do Rio Branco, local escolhido por um motivo preciso: foi na antiga Rua do Rosário, atual Visconde do Rio Branco, que o primeiro jornal de Taubaté foi composto e impresso.
Esse era o plano de Levy Brederick para celebrar o centenário da imprensa taubateana, em 29 de agosto de 1961. O que se inaugurou, de fato, foi um monumento provisório, feito em alvenaria. O então prefeito prometeu substituí-lo por outro, talhado em pedra. A promessa ficou. A homenagem acabou tomando outro rumo. Coube a Waldemar Duarte, proprietário do jornal A Voz do Vale, garantir, por meio de um decreto de 1967, que um pequeno trecho da Praça Barão do Rio Branco passasse a se chamar Praça da Imprensa.
No fim da década de 1990, a Praça da Imprensa se consolidou como um dos principais pontos de encontro da intelectualidade taubateana. Políticos, juízes, promotores, artistas, professores e universitários dividiam mesas no Bar do Pereba. Era comum esbarrar por ali em Renato Teixeira, José Carlos Sebe, Paulo de Tarso Venceslau, José Diniz, professor Antonio Marmo, Duda Mattos, Fernando Ito e Erico Dias. Foi naquele entorno que nasceram o Matéria Prima, autodeclarado “jornaleco metido a besta”, e o combativo Jornal Contato, semanários que agitaram o ambiente intelectual da cidade no início do século XXI. Até o primeiro esboço técnico da TV Câmara de Taubaté foi rascunhado em um guardanapo por ali. Durante o governo Roberto Peixoto (2005-20012), a Praça da Imprensa foi revitalizada, um quiosque - que passou a ser ocupado pelo projeto cultural do colecionador Jorge Hata - foi construído, onde a efigie de Praxedes de Abreu, decano do jornalismo taubateano, foi instalada.