Casa Oliveira Costa

Construído em 1854, o Solar Oliveira Costa é um dos últimos sobreviventes do tempo em que o café mandava no Vale do Paraíba e em Taubaté. Tombado pelo CONDEPHAAT em 1977, o casarão atravessou o século como testemunha de uma cidade moldada pela riqueza agrária e pelo poder das famílias tradicionais.
A casa foi erguida pelo tenente-coronel Manoel José Siqueira de Mattos, fazendeiro influente e homem de seu tempo. Organizou voluntários para a Guerra do Paraguai e construiu a residência para abrigar uma família numerosa: foram 21 filhos, dos quais 16 chegaram à idade adulta. A planta da casa acompanha essa lógica patriarcal: muitas alcovas, grandes salas e janelas abertas para a rua, onde a vida privada e a vida social se misturavam, como nas sedes das antigas fazendas.
No século XX, o casarão mudou de mãos e de função. Em 1923, foi adquirido por Pedro Luiz de Oliveira Costa, advogado, prefeito e deputado. Sob os cuidados da família Oliveira Costa e de Maria Eudóxia, a casa preservou sua estrutura, mas ganhou novos usos: móveis refinados, obras de arte e longas conversas políticas transformaram o antigo solar cafeeiro em um ponto de encontro da elite urbana e decisória da cidade.
A casa continuou em pé. O mundo ao redor, não.

Curiosidades

Casa Museu

(Imagem: Museu Histórico e Solar das Artes de Taubaté - imagem dos anos 1980. Acervo AMPAH)

Antes de virar museu, a casa foi poder, família e política.
Quando virou museu, passou a guardar aquilo que a cidade quase perdeu: sua própria memória.
Em 1978, a Casa Oliveira Costa passou a abrigar o Museu Histórico de Taubaté, tornando-se um dos polos culturais do centro da cidade. O museu nasceu de um movimento articulado pela Comissão de História da prefeitura, formada por Maria Morgado de Abreu, José Claudio da Silva, Gentil de Camargo e pelas então universitárias Ana Lúcia Di Lorenzo e Lia Carolina Mariotto.
Coube a esse grupo resgatar documentos fundamentais da história do Vale do Paraíba, salvando-os da perda, e articular junto ao poder público as primeiras políticas culturais do município. O projeto também atraiu nomes de peso, como o museólogo Paulo Camilher Florençano, referência em São Paulo.
Com a colaboração decisiva de José Pedro Oliveira Costa, o casarão foi tombado em 1977 e alugado à prefeitura. Em 1988, o Museu Histórico deixou o solar e foi transferido para seu endereço atual, na Rua Tomé Portes Del Rei, na Vila São José.

Casa dos poetas

Filho da oligarquia republicana, educado na Europa e formado na boemia, Cesídio Ambrogi fez da poesia e da conversa um tipo muito particular de poder cultural no Vale do Paraíba.
Cesídio Ambrogi (1893-1974) é uma das figuras mais intrigantes da cultura valeparaibana. Nascido em Natividade da Serra, era filho de Bernardo Ambrogi, comerciante bem-sucedido da ala dos imigrantes italianos e um dos próceres do Partido Republicano Paulista (PRP) na região. Bernardo foi prefeito de Natividade e de Taubaté. O filho seguiu outro rumo.
Enviado à Itália para cursar engenharia, na Universidade de Pisa, Cesídio interrompeu os estudos com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e retornou ao Vale do Paraíba. Em vez da técnica, escolheu a poesia, a boemia e o convívio intelectual. Seu talento chamou a atenção de Menotti Del Picchia e, mais tarde, de Monteiro Lobato, que editou As Moreninhas, seu livro de estreia e obra mais conhecida.
Tornou-se correspondente do Correio Paulistano, órgão oficial do PRP, e em 1932 integrou o grupo de professores fundadores do Ginásio Estadual de Taubaté, marco decisivo na formação intelectual da cidade.
Cesídio pertenceu a uma das famílias que concentraram maior influência política em Taubaté, ao lado de Guisard, Mattos, Costa e Audrá, até a ruptura provocada pelo Estado Novo, em 1937. Ao lado de Urbano Pereira e Gentil de Camargo, formou o trio mais influente da intelectualidade taubateana nas décadas de 1930 e 1940.
Casado com a professora Lygia Fumagalli Ambrogi, transformou sua casa, na Rua Visconde do Rio Branco, em ponto de passagem obrigatório da cultura paulista. Por ali circularam Menotti Del Picchia, Cassiano Ricardo, Monteiro Lobato, Miguel Reale, Malba Tahan, Florestan Fernandes, entre outros. Célio e Cid Moreira e Renato Teixeira estão entre os taubateanos que reconheceram em Cesídio uma influência decisiva em suas trajetórias.