Antiga Cadeia e Câmara vista a partir da Rua São José, em 1856 - Acervo AMPAH

De Cadeia a Escola

Você sabia que antes de ser uma escola, neste mesmo terreno estava o centro administrativo e judiciário de Taubaté?

Isso mesmo. Quando Taubaté foi fundada ela precisava de edifícios administrativos para que o povoado se tornasse vila. Dois deles eram essenciais: a Casa do Conselho (Câmara Municipal) e a Cadeia.

Aconteceu que com o crescimento da cidade, os edifícios primitivos não mais comportavam as necessidades locais. Foi quando a administração da vila levantou fundos para a construção de uma nova sede do poder.

A área escolhida foi o cruzamento entre as atuais ruas São José e Pedro Costa.

Iniciada em 1786, pelo mestre de obras Severino Araújo, a construção da nova cadeia e câmara levou onze anos, sendo entregue em 1797. Era um edifício que media aproximadamente 27,5m de frente por 11m de fundo.

A cadeia tinha capacidade para até 6 presos no piso principal. No subterrâneo para outros 16. No piso superior funcionava a Câmara.

Essas duas instituições funcionaram naquele edifício até o ano de 1891, quando foi construída a cadeia do Largo Costa Guimarães e a Câmara foi instalada no solar da D. Leopoldina Varella na rua Visconde do Rio Branco.

Logo que a velha cadeia foi desativada, o professor Arthur da Glória formou uma escola em seu lugar. Tendo atendido alunos de ensino primário até a ano de 1900.

Foi em 1896 que se formou o Primeiro Grupo Escolar de Taubaté. Carecia de uma sede que desse conta da demanda de salas de aula que o município apresentava. E a área da velha cadeia foi escolhida para isso.

Entre 1901 e 1902 uma grande obra substituiu o antigo edifício de taipa de pilão pelo novíssimo prédio de tijolos.

Fachada do Grupo Escolar Lopes Chaves - Acervo AMPAH

Grupo Escolar Lopes Chaves

Em 7 de setembro de 1902, em cerimônia conduzida pelo Coronel Marcondes de Mattos, com a presença do seu padrasto, Joaquim Lopes Chaves e o fiscal das obras, o Engenheiro de Obras Públicas no Estado de São Paulo, Euclides da Cunha, foi inaugurado o edifício que abrigou o Primeiro Grupo Escolar de Taubaté.

O projeto original é assinado por José Van Humbeeck, baseado no Grupo Escolar de Botucatu, desenhado por José Van Victor Duburgras.

Algumas das mais conhecidas personalidades taubateanas do século XX estudaram no Grupo e depois Escola Estadual Lopes Chaves: Emílio Amadei Beringhs, Oswaldo Barbosa Guisard, Monsenhor Cícero de Alvarenga, Cid Moreira, entre outros.

Em 2010, apesar do recente abandono, o prédio foi tombado pelo Condephaat.

Curiosidades

Solução familiar

(Imagem: O Senador Joaquim Lopes Chaves - Acervo AMPAH)

Joaquim Lopes Chaves, o patrono da escola, foi o parlamentar que liderou a negociação para instalação do primeiro Grupo Escolar instalado no Vale do Paraíba. Por esse motivo, quando da sua inauguração, o empreendimento recebeu o seu nome.
Lopes Chaves era também o padrasto do chefe político local, o Coronel José Benedito Marcondes de Mattos. O que também explica a homenagem...

Fiscal de Obras

Euclides da Cunha, o autor do monumental "Os Sertões", era o fiscal de obras designado pelo governo do estado de São Paulo para cuidar dos empreendimentos lançados entre os anos de 1896 e 1904. Ele teve participação direta na construção do prédio do Grupo Escolar de Taubaté.
Inicialmente o projeto contava apenas com o pavilhão central. A Câmara de Taubaté reclamou: achava que "o edifício não correspondia à grandeza e prosperidade da cidade". Oficiou a reclamação ao governo do estado.
Euclides da Cunha, fiscal da obra, concordou com a reclamação e projetou os dois pavilhões anexos, muro de fecho do terreno e ajustes nos alicerces. Apresentou o orçamento da obra ao governo que foi aprovado e a obra executada.
Depois da inauguração, a Câmara de Taubaté fez nova reclamação, apontando a falta de calçamento na área externa. O famoso engenheiro fez novo projeto e orçamento e dessa vez a Câmara pagou a conta.
Não parou por aí. No ano seguinte, 1903, o diretor do Grupo Escolar oficiou solicitação para instalação de caixas d'água no edifício. Euclides da Cunha fez o projeto e o orçamento, que foram novamente acatados pela Câmara que executou a obra.