Praça Dr. Monteiro

Um dos marcos do poder político e da expansão urbana de Taubaté, a atual praça teve, ao longo do tempo, diferentes nomes e significados.

Em sua fase mais antiga, o espaço era conhecido popularmente como Largo do Cemitério ou Largo da Santa Cruz e também como Largo do Teatro, denominações associadas aos usos e referências do entorno.

Após 1868, o largo passou a se chamar oficialmente Largo da Princesa Imperial, em homenagem à visita da Princesa Isabel e do Conde d’Eu a Taubaté. Durante a estada na cidade, o casal hospedou-se no solar do Barão do Tremembé, José Francisco Monteiro, pai do futuro patrono da praça.

Com a Proclamação da República, o local teve seu nome alterado para Largo da Liberdade, em alusão ao novo regime e à libertação dos escravizados.

Em 1905, um ano após a morte do Dr. José Francisco Monteiro Junior, o espaço recebeu sua denominação definitiva, tornando-se uma homenagem ao personagem que marcou a vida política e urbana da cidade.

Localizada no encontro das ruas XV de Novembro, Emílio Whinter, Souza Alves e Barão da Pedra Negra, a praça foi ainda endereço do próprio patrono, bem como de seu pai, de sua mãe e de sua madrasta.

Curiosidades

O Solar do Visconde

(Imagem:Solar do Visconde do Tremembé, na Praça Dr. Monteiro - Acervo AMPAH)

No exato local onde hoje está a Rádio Difusora existiu a casa número 1, era o Solar do Barão do Tremembé, o mais influente político taubateano desde seu pai, o alferes Francisco Alves Monteiro. O Barão, era um grande proprietário de terras e empreendimentos e é famoso também por sua descendência, o próprio Dr. Monteiro, seu filho, e o escritor José Bento Monteiro Lobato, seu neto.
José Francisco Monteiro recebeu o título de barão ainda durante a Guerra do Paraguai, no ano de 1868 e, em 1887, já nos anos finais do Império recebeu o título de visconde.
O solar, já no século XX, foi sede da Escola do Comércio e depois do 5ª Batalhão da Força Pública de São Paulo (atual 5º BPMI, que depois mudou-se para o bairro da Independência).
Sua vizinha mais próxima era Maria Belmira Ferraz, a Viscondessa do Tremembé, sua esposa.

Solar da Viscondessa

(Imagem: Solar da Viscondessa do Tremembé - Acervo AMPAH)
Mbr> Ao lado do solar do Visconde, está o casarão de Maria Belmira França Monteiro, a Viscondessa do Tremembé. Hoje é propriedade da Universidade de Taubaté, que já o ocupou com diversas funções. Mas nele já funcionou o Ginásio Taubateano e o Museu Histórico de Taubaté.
No levantamento realizado pela Universidade, o casarão foi construído em meados do século XIX. Era inicialmente com um único pavimento, que foi depois modificado por reforma realizada pelo Visconde do Tremembé, tornando-se um solar.
O próprio Visconde não habitou a casa, era de uso exclusivo da Viscondessa, que morou no endereço até a sua morte, em 1910. E, no ano seguinte, com a morte do Visconde, o Solar foi herdado por Ester, neta do Visconde e irmã de Monteiro Lobato.
A casa foi vendida em 1918 para Coronel Francisco de Paula Oliveira e serviu de residência até 1936, quando foi alugada por seus herdeiros à Felix Guisard, para se tornar o Museu Municipal de Taubaté.
Até 1950 permaneceu com essa ocupação.
Em 1951 tornou-se sede do Ginásio Taubateano e em 1974 foi adquirido pela Federação das Faculdades de Taubaté, a célula de origem da Unitau.
Deste então é ocupada com funções acadêmicas e administrativas daquela instituição.

A avó do Lobato

O Visconde do Tremembé teve três filhos legitimados, todos eles concebidos antes do seu casamento Maria Belmira França, a Viscondessa.
O casamento arranjado e infértil pode ser a explicação para os dois morarem em casas separadas.
No perímetro do Largo da Princesa Imperial, morava a professora Anacleta do Amor Divino, a verdadeira mãe de dois dos filhos do Visconde: José Francisco Monteiro Junior e Olympia Augusta Monteiro.
Eles configuravam uma das mais importantes e poderosas famílias taubateanas.
O terceiro filho, Francisco Alves Monteiro Neto, era filho de Virginia Tolledo.
Olympia foi a única que deixou descendência: José Bento Monteiro Lobato (o escritor), Judith Monteiro Lobato e Esther Monteiro Lobato. Os únicos herdeiros do Visconde.

Casa de reuniões

A casa do Visconde era a mais frequentada para as decisões políticas da cidade. Além de ser o centro de recepção das maiores autoridades estatais, incluindo a recepção da família imperial.
A princesa Isabel e o Conde D'Eu, e também o próprio imperador, Pedro II.
Sobre a última visita do Imperador à casa do avô, Monteiro Lobato teria percebido um contraste gritante: daquela montanha de barbas respeitáveis saía uma “falinha fina”, quase de porcelana.
Lobato era também um fotógrafo competente. É ele o autor da imagem acima, tomada do piso superior do Solar, mostrando a vala da praça Dr. Monteiro, suas vias, casas e até o Teatro São João ao fundo.
E também registrou em vídeo a vista da casa: de onde se via a Igreja do Rosário e até a Santa Teresinha e mais paisagens. Vaja abaixo. E para quem não gostar, tem até uma mensagem do autor:

Vídeo: Acervo Família Monteiro Lobato. Gentilmente cedido por Cleo Monteiro Lobato.