Villa Santo Aleixo

A Villa Santo Aleixo é um dos exemplares remanescentes da arquitetura eclética da antiga Taubaté, marcada pela presença de casarões urbanos erguidos por grandes fazendeiros entre o final do século XIX e o início do XX. Enquanto muitos desses imóveis foram demolidos em nome de um progresso pouco criterioso, a Villa permanece como um marco histórico, arquitetônico e cultural da cidade.

Construída, provavelmente, por volta de 1872, a residência foi erguida por iniciativa de Joaquim Lopes Chaves. Por esse motivo, o edifício ficou conhecido como Chalé Lopes Chaves.

Embora ainda não se conheçam registros oficiais da obra, há indícios de que os mesmos construtores de outros edifícios ligados a Lopes Chaves atuaram no local. Também é atribuída, sem comprovação documental, a autoria do projeto a Ramos de Azevedo.

Após a morte de Lopes Chaves, em 1909, o imóvel passou para a família Marcondes de Matos. Em 1920, foi adquirido pela Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro e transformado em residência de verão do cardeal Dom Joaquim Arcoverde, que rebatizou o casarão como Villa Santo Aleixo e promoveu alterações que consolidaram seu caráter eclético. Depois da morte do cardeal, em 1930, a residência foi vendida para o médico Dr. José Luiz Cembranelli e, em dezembro de 1931, foi adquirida por Jorge José Nader, cuja família residiu no local por mais de seis décadas, preservando grande parte de suas características originais.

Em 1985, o imóvel foi oficialmente tombado como patrimônio histórico, arquitetônico e cultural do município.

A situação do casarão começou a se deteriorar após 1996, quando foi adquirido pela Universidade de Taubaté e adaptado para sediar sua Fundação Musical. A ocupação inadequada e a ausência de um programa consistente de conservação resultaram em danos estruturais e abandono progressivo.
Em 2010 a casa foi confiada à prefeitura de Taubaté, que só promoveu o seu restauro entre 2023 e 2025.

Hoje é um importante centro de cultura.

Curiosidades

Casa dos republicanos

(Imagem: O Senador Joaquim Lopes Chaves - Acervo AMPAH)

Em 18 de julho de 1889, Joaquim Lopes Chaves manifestou publicamente a sua adesão ao movimento republicano.
O ato foi festivo: um grupo organizado pelo farmacêutico José Pedro Malhado Rosa, promoveu um cortejo que tinha como destino o Chalé da Lopes Chaves. Onde o senador receberia homenagens e faria os vivas à República.
Essa foi a primeira manifestação republicana nas ruas de Taubaté.
Os jornais da época dizem que a manifestação, apesar de importante, teve pouca adesão. Soltaram um tímido "Viva à República" que teria sido respondido com um vigoroso "Viva a monarquia", por manifestantes de oposição liderados pelos irmãos Eusébio e Gastão da Câmara Leal.
Nas semanas seguintes, os jornais "O Noticiarista" e o "Jornal do Povo" informavam sobre os jantares oferecidos por Lopes Chaves em seu Chalé para angariar apoiadores à causa republicana.

Casa de veraneio

O pernambucano Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti foi o primeiro cardeal da América Latina. Nomeado com o título de São Bonifácio e Santo Aleixo pelo papa Pio X, em 1905, era uma figura conhecida dos taubateanos, que por muitas vezes o viram passar férias em Taubaté.
Em 1920 fez da cidade o seu refúgio, quando Mitra Arquiepiscopal de São Sebastião do Rio de Janeiro comprou o chalé Lopes Chaves para lhe servir de casa de férias.
Inicialmente a casa seria rebatizada como "Vila Arcoverde", mas ao final das obras de reforma recebeu o nome de Villa Santo Aleixo.

Rua da Piedade

(Imagem: Emilio Theodoro Whinther - Acervo da Irmandade de Misericórdia de Taubaté)

A atual Rua Emilio Whinter se chamava Rua da Piedade, pois nela havia a Capela da Piedade, uma construção do século XVIII que deu lugar ao Colégio Bom Conselho.
O nome perdurou até o dia 10 de junho de 1895, quando, em homenagem ao famoso médico, uma cerimônia solene inaugurou a placa com o novo nome, homenageando o "Gênio do Bem”, falecido sete dias antes.