O Teatro São João

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Conta a história que o Teatro São João que existiu em Taubaté, e que nós os mais velhos conhecemos e freqüentamos nos últimos tempos de suas atividades, foi construído por um grupo de taubateanos na década de 1870 no tempo do Império, para ser a casa de diversões noturnas, abrigando o único gênero da época: o teatro.

E vamos ser francos, era um prédio alto de paredes de taipa de terra socada, de cor branca, melhor diríamos, de cor beje clara, amplo, liso, sem possuir externamente beleza arquitetônica mas impressionante pela sua altura, um mini Partenon da cidade. Taubaté, procurava pelos seus expoentes, dar ao seu povo, algo da arte que iniciara João Caetano na Capital Federal.

Não havia cinema, rádio, televisão e evidente seria o Teatro que teria de polarisar as atenções da elite, com a apresentação das companhias teatrais, que vindas da Guanabara à caminho de São Paulo, podiam, em meio da jornada, estacionar em Taubaté, aqui encontrando facilidades de realizar suas récitas.

Essa situação propiciou aos taubateanos, a apresentação de companhias líricas de grande expressão que nos últimos tempos do Império e do dealbar da República, se apresentaram no Rio de Janeiro eem São Paulo.

Com o começo do cinema em Taubaté, com o “Cinema Rio” e o “Taubaté Cinema” o Teatro entrou em declínio e sobraram alguns grupos dos últimos dos moicanos”, os amadores teatrais, inda numa luta idealística insistente, teimosa, para tentar evitar o seu desaparecimento completo. O teatro sobrevive, com penosas dificuldades nas capitais, mas infelizmente no interior, de modo geral, desapareceu. O Teatro São João acabou fechando. Abria-se de quando em quando para festas escolares, pela década de 1910.

Sobravam uns poucos artistas taubateanos por esse tempo, entre eles Quinzinho Ferreira, cançonetista, parodista, versátil, que acabou retirando-se definitivamente de Taubaté tendo falecido há alguns anos na Bahia, Afonso Vigo, João dos Santos etc.

O antigo Teatro São João

Entre algumas tentativas em favor do teatro amador pelos idos de 1918, lembramo-nos  do grupo da C.T.I. do qual faziam parte, como ensaiador o ex-profissional de teatro João Batista dos Santos, Asterio Braga, Antonia Marcondes, Eliza e Geny Milantoni, Orestes Marcondes, que entre outras peças antigas levaram à cena “O Casamento do Pindoba” e outras.

Mas o teatro São João era internamente, lindo, magnífico. Platéia, frizais, camarotes e “torrinhas”, bastante confortáveis. Palco amplo, elogiado sem reservas pelos artistas que o ocupavam. Afirmavam que fora copiado do Colón de Buenos Ayres!

Um crime imperdoável, de lesa tradição e revoltantemente antiarquitetônico, pelos culpados, já na diremos da sua demolição, mas… pela “substituição” pelo deplorável monstrengo que recebeu o pomposo nome da “Casa da Lavoura”.

Em 1.918 mais ou menos, meu pai associou-se com Virginio Brandão e tentou reabilitar o grande, solitário e abandonado prédio.

Tornou-se durante algum tempo um ponto chique da cidade. Aos sábados e domingos as famílias de elite taubateana ali se reuniam para assistir o famoso seriado “O Conde de Monte Cristo”, a fabulosa produção “Leilão de Almas” e outros filmes de sucesso.

Artistas de grande valor e grupos teatrais faziam a segunda parte do espetáculo. “A Transmontana”, o “Doutorzinho”, o saudoso mago do violão Américo Jacomino o “Canhoto”, inconfundível autor e intérprete de “Abismo de Rosas”, a Companhia da graciosa e escultural “Miss de Rosas”, a Companhia da graciosa e escultural “Miss Eva Tatali” que enfeitiçava jovens e corôas, “Severita e Topico” e muitos outros. O Teatro São João tinha mais de 800 lugares e hoje há ainda apaixonados de teatro que lutam, há anos, para que Taubaté consiga uns 400 lugares!

Oswaldo Barbosa Guisard (1903-1982) 

oswaldoFoi executivo da CTI, vereador e presidente da Câmara. Idealista, participou do grupo fundador da Semana Monteiro Lobato e por 30 anos foi seu principal divulgador, mantendo acesa a sua chama original. Batalhou com perseverança pela preservação e tombamento da Chácara do Visconde, local onde nasceu Monteiro Lobato. Sua fabulosa memória o levou a escrever o livro “Taubaté no aflorar do século, uma grande obra.

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